Enxurrada arrastou entulhos após rompimento da represa erguida no parque solar Foto: Piauihoje.com

Destruição de plantações, morte de animais, isolamento de comunidades e assoreamento de trecho do Rio Gurguéia. Essas são consequências imediatas do rompimento de bacias de contenção de águas das chuvas no entorno do parque de energia solar de São Gonçalo do Gurguéia, município localizado no extremo Sul do Piauí. Quando concluído, o parque será o maior em capacidade de produção de energia solar da América do Sul.

O rompimento das bacias de contenção ocorreu dia 5 de fevereiro, mas somente nesta quarta-feira (12.02) a informação foi tornada pública, com exclusividade, pelo portal Piauí Hoje.Com.

Com o grande volume de águas das chuvas do final de 2019 e início deste ano, as bacias construídas no entorno do parque ficaram totalmente cheias e se romperam. As enxurradas desceram da Serra de Santa Marta, onde fica o parque, para as áreas mais baixas, levando muito entulho, areia e lama. Deixaram um rastro de destruição por onde passaram.

O secretário de Meio Ambiente de São Gonçalo do Gurguéia, Edilberto Nobre, diz que na área mais atingida moram 30 famílias, mas elas não correm risco de morte. A Enel Green Power, empresa responsável pela instalação e gestão do parque, teria proibido o secretário de fiscalizar as obras na área.

Relatos das vítimas revelam que as água e a lama invadiram as terras e plantações de agricultores e pecuaristas dos povoados Grotão da Lapa, Buritizinho e Lapa, que ficam a 3, 6 e 9 quilômetros, respectivamente, do centro da cidade de São Gonçalo do Gurguéia. Imagens do desastre confirmam os relatos.

As famílias atingidas estão se reunindo para tratar do caso e dos prejuízos que ainda estão sendo contabilizados. A morte de gado, e a destruição de plantações de milho e melancia, bem como o assoreamento de trecho do rio são os principais prejuízos apontados até agora.

Os agricultores têm o milho e a melancia como os principais produtos da região atingida. Eles se preparavam para um grande volume de comercialização desses produtos durante a período da Semana Santa, no mês de abril.

Já os pecuaristas, com medo de perder totalmente seus rebanhos, transferiram os animais para outras localidades três dias após o rompimento das bacias. Eles alegam que os animais iam beber no rio e morriam atolados na areia e na lama.

Necessárias e importantes

As bacias de contenção são importantes nos porque reduzem pico de escoamento, evitando inundação e a degradação de terrenos e habitações. Também reduzem a carga de contaminantes, controlam a erosão, recarregam os aquíferos e podem ser usadas para armazenar água.

Mas, de acordo com o secretário de Meio Ambiente de São Gonçalo do Gurguéia, “na área de bacia rompida o escoamento está anormal e as águas, lama, detritos e entulhos já atingiram as nascentes dos riachos, como os do Boqueirāo dos Macacos, do Buritizinho e do Buriti do Meio, “além de toda borda da serra do lado destas localidades”.

Ele ressalta que rompimento acabou com os brejos e com as nascentes que haviam nas propriedades. Também aterrou muito. Trm lugar agora com quase dez metros de altura só de areia e entulhos”, diz Edilberto.

VERSÃO DA SEMAR

Já em contato com Renato Nogueira, Gerente de Fiscalização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR), o técnico assegurou que na próxima semana uma equipe da pasta será enviada ao município, onde fará um trabalho de campo junto às comunidades de Grotão da Lapa, Buritizinho e Lapa visando mensurar e mapear os impactos causados com o rompimento das represas.

Nogueira conta que o Governo do Piauí tem ciência da situação e já realizou fiscalizações no município ainda em 2019.


Fonte: Piauí Hoje

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