A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) confirmou o fechamento do Centro Regional de Operação do Oeste (CROO) em Teresina. Os serviços serão feitos agora pelo Centro de Fortaleza-CE. A decisão foi tomada seis meses depois do presidente da Chesf, Fábio Lopes Alves, garantir que manteria a estrutura no Piauí.

De acordo com a Chesf, a integração dos centros de Teresina e Fortaleza visa proporcionar uma maior eficiência operacional. O centro cearense agora opera 33 instalações nos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão.

“Para viabilizar a referida integração dos Centros, foram adotadas as medidas, por parte dos órgãos da Diretoria de Operação da Companhia, no sentido de proporcionar as condições técnicas e operacionais necessárias, especialmente no que se refere ao treinamento das equipes e ao desenvolvimento de novas soluções tecnológicas que possibilitaram a integração de forma segura. Destaca-se que o Centro de Operação de Fortaleza dispõe da infraestrutura adequada no tocante às instalações prediais e recursos tecnológicos de hardware e software para executar a operação de forma integrada”, informa a nota da companhia.

Reações

Para o Sindicato dos Urbanitários, o fechamento do CROO configura “uma grande perda” para o Estado, no momento em que o Piauí está em pleno desenvolvimento na geração de energia, com a energia eólica, solar e hidroelétrica, deixando de ser apenas consumidor para se tornar produtor de energia.

“Iremos perder esta tecnologia que desenvolvemos em 44 anos de centro, além de perdemos campo de trabalho e laboratório para estudantes de energia elétrica”, destaca Francisco Marques, presidente do Sindicato dos Urbanitários.

O diretor do sindicato e trabalhador da Chesf, Herbert Marinho, disse que “lamenta profundamente que as autoridades competentes não tenham sido capazes de impedir tal feito. É lamentável que tenhamos perdido algo tão importante para nosso Estado”.

Para o sindicato, os prejuízos com a transferência do CROO do Piauí para o Ceará são muito significativos, pois o centro acompanha todas as instalações 24 horas por dia, trabalhando em turno de revezamento, monitorando a qualidade da energia, para que seja adequada às instalações e ao consumidor.

“Qualquer anormalidade com uma instalação, o centro sabe de imediato e se lhe couber, já busca soluções rápidas. Com esta transferência, em caso de um apagão, por exemplo, será preciso que as autoridades piauienses se portem à Recife ou ao Ceará, burocratizando e prolongando as soluções para eventuais problemas”, explicou Marques.

História

No Piauí, a Chesf atua desde 1970 com a construção da Barragem de Boa Esperança em Guadalupe e o Centro Regional de Operação do Oeste (CROO) estava há 44 anos em Teresina. Além de Guadalupe e Teresina, Piripiri, Elizeu Martins, Picos e São João do Piauí tem unidades da Companhia com cerca de 250 funcionários aproximadamente.

Esta não foi a primeira vez que anunciaram o fechamento do CROO, servidores antigos afirmam que já na década de 1990 cogitavam o encerramento da central no Piauí. No entanto, nunca havia se consolidado. As “ameaças” continuaram. Em 2017, um novo anúncio foi feito para fechamento ainda no ano passado, porém, parlamentares da bancada federal interviram e conseguiram junto ao então ministro das Minas e Energias, Fernando Coelho Filho, o adiamento. Entretanto, a nova gestão da Companhia já havia sinalizado que isso iria ocorrer.

A Chesf possuía cinco Centros de Operação sediados em Recife (PE), Paulo Afonso (BA), Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Teresina (PI) que são responsáveis pela operação sistêmica de suas 138 instalações situadas na Região Nordeste.

O Piauí produz mais de dois mil mega watts de energia sendo gerada pela hidrelétrica de Boa Esperança em Guadalupe e pelas usinas de energia solar e eólica instaladas em diferentes regiões do Estado. Toda energia produzida, é transmitida pela Companhia Hidrelétrica do Vale do São Francisco (Chesf) para subestações, que transformam em voltagens menores, para ser encaminhada às concessionárias e assim distribuídas aos consumidores.

Todo o aparato é complexo, envolve um sistema de operação com usinas hidrelétricas, solares e eólicas, linhas de transmissão de alta tensão, manutenção dessas linhas e ainda centro de operações para que a continuidade do fornecimento seja realizado 24 horas por dia.


Fonte: cidade verde

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